sábado, 1 de agosto de 2009

Solidariedade para além do humano

Há cerca de um mês a Verónica e o Nuno, namorados, de regresso a casa, já de madrugada, na berma da estrada numa zona de pinhal, encontraram uma ninhada de três gatinhos, bem juntos e abandonados. Os gatinhos pareciam pedir desesperadamente, ajuda, o Nuno e a Verónica amigos, recolheram-nos e trouxeram-nos para casa.
Um deles não resistiu á avançada desidratação, morreu, os outros dois, um casal, resistiram, são os "Silvestres" e estão contentes com o acolhimento.
O macho de coleira azul é o "Silvestre" a fêmea de coleira branca é a "Ritinha" e vivem felizes, pelo menos assim parece, dos gatos que já faziam parte da família, o "Jaleco" e a "Mimi" só a "Mimi" (uma senhora) ainda não os aceitou, o "Jaleco" sim. Lambe e acaricia os novos inquilinos.
Ainda há animais com sorte, que o mesmo seja extensível às pessoas, continuamos a fazer por isso.

O Provérbio: - "O alívio dos que sofrem, é dever de todos"
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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Milho - Espigas assadas


As searas de milho estão verdejantes, este ano foi húmido e quente o que favoreceu o desenvolvimento do milho aqui no Zambujal que é cultivado em terras fortes e de pouca água.

As espigas estão barbadas e os grãos ainda tenros amadurecem. No Zambujal era costume por esta altura apanhar as espigas “cotos”, com os grãos de milho ainda leitosos quando esmagados e assá-las nas brasas.

Quando era jovem, a rapaziada da aldeia, juntava-se em grupos e à noite ia “roubar” os “cotos” e faziam-se magustos nas “Pedras Reigadas” e “Coimbrões” (sítios rurais), Nessas noites de luar e cálidas, à roda da fogueira onde eram assadas a espigas de milho, faziam-se convívios numa amizade entre todos, cimentadas em muitas cumplicidades.

As espigas assadas, por vezes. eram mergulhadas em água salgada para as temperar e arrefecer, eram comidas acompanhados com jeropiga e muitas vezes guitarradas.

Este ano, no meu quintal semeei alguns grãos de milhos que têm espigas em acção de assar e foi o que fizemos uma assada de "cotos". Um delicioso petisco.

O Provérbio: - "A mocidade passa mas as recordações ficam"

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domingo, 5 de julho de 2009

Homenagem simples a um homem bom e humilde. António da Costa Ribeiro "Toino Vaibem"


António Vaibem no Salão da ACRZ

António da Costa Ribeiro (1921-2008) conhecido por António Vaibem, nasceu no dia de Natal na Ribeira dos Moinhos, numa família de lavradores, a senhora sua mãe era a ti Guilhermina da Leonor, porque Leonor era a sua avó, mulher de Matias Simões, seu pai era Manuel da Costa Ribeiro que morreu com algumas pequenas dívidas, era o António seu filho menino de oito anos, que nunca fora à escola. Por via das pequenas dívidas do senhor seu pai, a viúva Guilhermina, sua mãe viu-se confrontada com a falta do sustento da família, que era assegurado, pelo seu esposo e teve como ajuda "solidária" a "eventariação" (palavra do António) dos seus bens e penhora para pagar, muito mas mesmo muito inflacionada, uma mísera dívida. Assim, ficaram na miséria, sem casa nem terras, na Ribeira dos moinhos.


A mãe Guilhermina, a avó Leonor, o irmão Manuel e ele próprio de "bibe".

Então sem casa (lar) em Ribeira dos Moinhos vieram viver para casa da avó Guilhermina que era do Zambujal, e ele o António "Vaibem" criança, começou a guardar gado cujo pagamento era a comida que lhe faltava em casa, depois foi trabalhar para as pedreiras da "gandara" onde "acartava" a terra com uma cesta de vime à cabeça, as crianças como formigas faziam carreiros naqueles enormes montes de terra que "acartavam" como hoje fazem os potentes bulldozers. de seguida arranjou trabalho nos lavradores onde fazia de tudo o que a lavoura exige, em troca do alimento, andava à frente do gado que puxava a charrua, arado na lavra, ou o carro carregado de mato, pasto, cereal, uvas ou carregado de tudo o que a terra dava e era colhido. O António casou aos vinte e cinco anos com a Maria do Rosário, que veio do Louriçal para servir no Zambujal, viveram na casa da avó Guilhermina e tiveram três filhos, o António, o Amândio e o Manuel, todos eles Fernandes, nome da avó.

Com mais bocas para sustentar o António Vaibem, fez de tudo o que a terra oferecia, na vinha, cavou-a limpando-a do "burgau", escavou-a, podou-a, sulfatou-a, vindimou-a, carregou os "cachos" pisou-os, deu balsa ao vinho, envasilhou-o, seguiu a sua maturação nas adegas e por fim voltou a trasfegá-lo na altura da venda. Isto ano após ano. Também arrancou pedra, enfornou a mesma pedra, cozeu-a e desenfornou a pedra que já era cal que lhe queimava as mãos e os pulmões. Esta cal que passou pelas mãos do "Vaibem" foi distribuída pelo país para a construção de obras que têm a sua impressão e pele digital, como por exemplo as novas faculdades da Universidade de Coimbra onde se ensinam doutos saberes que o António nunca sonhou existirem, mas cujo abrigo ele ajudou a construir.

O forno da cal do Caldeira e depois de Manuel de Jesus Gomes (Canário) onde o António Vaibem cozeu muita cal.

O António Vaibem nunca foi à escola porque a prioridade era ter alguma coisa que comer, mas a escola da vida deu-lhe a sabedoria daqueles que sabem quanto custa a vida ganha com trabalho duro e honesto.

O nosso conterrâneo e homem bom, António Vaibem ficou pobre e deixou-nos no dia 13 de Agosto pobre de bens materiais mas rico de valores morais e humanos e deixou obra valorosa.

Sentado na esplanada do café

Esta pequena homenagem ao ti António Vaibem, homem sábio das coisas da vida, alegre apesar de sofrido, homem que gostava de rir, cantar e dançar, é extensiva a todos quantos anonimamente fizeram o trabalho duro na construção do país que temos e pelos quais (gente anónima) a vida passou sem que ninguém fora do círculo familiar os homenageasse como fazem aos "doutores" que escreveram com as canetas, leram nos livros e se abrigaram nas casas (como quase tudo o que utilizam) que gente como o Tí António Vaibem ajudaram a construir.

O provérbio: - "Antes pobreza honrada do que riqueza roubada"

quarta-feira, 1 de julho de 2009

"Sonho de uma noite de verão" no meu jardim




Uma noite de convívio com alguns amigos no jardim.

Os Amigos

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
Negritopor mais amarga.

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"

O Provérbio: - "A amizade é o amor sem asas"

sábado, 20 de junho de 2009

Mel do Zambujal

(clicar na imagem para ampliar)
O João Murta tem um pequeno apiário entre os "Bárrios" e os "Alpiares", numa zona de boa biodiversidade florestal, pinheiro, eucalipto, carvalho, sobreiro, ameixa brava "rénol", urze, murta, vinha, madressilva, silva, tojo, algum rosmaninho, etc., no fundo um bom "pasto" para as abelhas que produzem um mel delicioso cor de caramelo. O João Murta visita o seu apiário quase todas as semanas, desta vez foi verificar como estava a evoluir um núcleo, inicio dum novo enxame. Também verificou que uma colmeia estava a fraquejar por excesso de zângãos, os machos das abelhas e que não produzem mel, isto acontece quando morre a abelha mestra, a única cujos ovos dão abelhas, as obreiras, dos ovos destas, das obreiras, nascem zângãos, mas verificamos que a própria organização da colmeia, enxame, já tinha providenciado alvéolos reais. Nos alvéolos reais (maiores) as obreiras põem ovos de cujas larvas, as obreiras produzem rainhas através duma alimentação especial (geleia real), a colmeia passado pouco tempo tem uma rainha, deixando de estar zanganeira (com excesso de zangões). Também verificou, o João, que numa das colmeias havia excesso de população e preparou-se para dividir o ninho em dois, retirou dois quadros com bastante criação (larvas) nos alvéolos, para colocar num núcleo, mais ou menos metade duma alça, (seis quadros), para desenvolver novo enxame. Alguns favos já tinham muito mel cor de oiro, depois da maturação, este mel é extraído no Outono e é uma delícia com pão nos dias frios de Inverno ou todo o ano.
A biodiversidade existente é garantia duma produção mais ou menos constante, pois, com tantas e diversas plantas há sempre algumas em flor, prontas a doar o seu nectar e polén em troca duma melhor polinização através das abelhas garantindo assim maior produção de frutos e sementes.
O Provérbio:- "A abelha perto do monte, com fonte e casa abrigada, produz mel e cera dobrada"

terça-feira, 16 de junho de 2009

O "Amola tesouras"

(clicar na imagem para ampliar)

Uma das muitas e boas recordações que eu tenho da minha infância no Zambujal era o som inconfundível da gaita do "amola tisoiras", duma espécie de "flauta dos andes", os tubos eram de lata, saia um som que começava alto baixava e terminava como começara, alto. O amola tisoiras era um homem quase sempre de aspecto pouco cuidado no vestir, de rosto muito enrugado, de pele escura e suja e de barbas e cabelo compridos e desalinhados. Fascinava-me a quantidade de mecanismos, coisas e objectos que trazia na bicicleta diferente de todas as outras. O som estridente que as facas e as tesouras quando ele as afiava na mó de esmeril e as faíscas, qual fogo de artifício, que se soltavam e envolviam o conjunto homem e mecanismos e tantas coisas que só ele sabia manejar e dar-lhe utilidade, o que tornava o “amola tisoiras” uma espécie de mágico, rodeado da criançada, de olhos arregalados, como que hipnotizada por aquele mundo fantástico de sons, luzes e de gente fascinante.

Há pouco tempo ouvi a gaita do “amola tisoiras” e segui aquele som ao encontro da sua origem e vivi momentos que me tornaram outra vez menino. O "amola tisoiras" voltou ao Zambujal, já se pensava que tinha ido para sempre.

O Provérbio: - "Recordar é viver duas vezes"

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Gente da nossa terra - Manuel Gil



Emigrante de sucesso – Manuel dos Santos Monteiro Gil (Manuel Gil) nasceu em 3 de Março de 1930 fruto do casamento de Manuel Gil, seu pai e Anunciação dos Santos, sua mãe. A pobreza da família “obrigou” seu pai a emigrar para o Brasil à procura de melhores condições, deixando sua mulher Anunciação com o Manuel Gil (filho) no ventre ainda em gestação.
O Manuel Gil nasceu e cresceu sem conhecer o pai que ficara por terras de Vera Cruz. A escola acabou quando o Manuel Gil fez a terceira classe e começou ainda menino a trabalhar na agricultura e como servente de pedreiro (misturando a areia a cal e a água com uma enxada, para fazer a massa que colava as pedras das construções carregando os materiais até aos pedreiros) e assim ainda criança era o amparo da mãe, já homem foi pedreiro. Casou aos 25 anos com Salvina, mas a mágoa de nunca ter conhecido o seu pai, fez com que em 1957 com 27 anos de idade fosse para o Brasil, à procura dele. Deixou no Zambujal, mulher e um filho, chegado a terras de Vera Cruz, São Paulo, o Manuel Gil concretizou o seu grande sonho de conhecer seu pai e iniciou ali a sua vida como empregado, passado pouco tempo economizou o suficiente para se estabelecer por conta própria na área comercial primeiro com um bar e depois com uma padaria e em 1962 chama para junto de si sua esposa Salvina e o filho Gabriel. Fundou um restaurante “O Rei do Bacalhau” que ligado à padaria foi um enorme sucesso, era frequentado por altas individualidades e por muitos turistas portugueses que ali se deliciavam com as suas especialidades de bacalhau, ficando ele próprio conhecido em São Paulo como o Rei do Bacalhau.
Em 1986 veio a Portugal para na FIL de Lisboa participar com o seu restaurante “O Rei do Bacalhau”e suas especialidades gastronómicas no evento “Portugueses de Além Mar” que trouxe a Portugal o exemplo de alguns emigrantes de sucesso.
Hoje o Manuel Gil está aposentado e é um homem feliz que vive junto de seus filhos em São Paulo. Mas não esquece a terra que o viu nascer e crescer, o Zambujal e, mais uma vez regressou em lazer para recordar sítios e amigos, amigos que reuniu no passado dia 1 de Outubro (2008) num jantar de confraternização no restaurante “Amigo” da Tocha onde agradeceu a todos o bom acolhimento e amizade que lhe proporcionaram por cá. Partiu para São Paulo com a promessa de voltar em 2009 no Verão.
Parabéns e votos de felicidades ao nosso conterrâneo Manuel Gil que há mais de cinquenta anos partiu para o Brasil onde viu pela primeira vez o seu pai e onde alcançou muito sucesso.
O nosso conterrâneo Manuel Gil é uma pessoa sábia, pois soube aprender com a vida nem sempre fácil, simples e humilde é um homem bom que tem granjeado muitas amizades, a comunidade espera de braços abertos a sua visita.

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