domingo, 16 de agosto de 2009

Festa do Sócio da Associação Cultural e Recreativa do Zambujal

Todos os anos a Associação Cultural e Recreativa do Zambujal, (ACRZ), organiza uma festa confraternização para os seus sócios e amigos. No dia 15 de Agosto mais de cem sócios e amigos conviveram em festa no salão da ACRZ no Monte Grande. A festa consistiu num farto e requintado jantar, pago pelos presentes, além da conversa fraternal houve animação musical, durante a qual se revelou mais um talento da nossa terra, a Carla Pereira que executou magistralmente, musicas tradicionais na sua concertina, cuja aprendizagem trouxe da Suíça onde os pais José Manel e Fátima são emigrantes.
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O trabalho de que também, senão principalmente, é feita a festa mas que poucos vêm, por ser feito nos bastidores.
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Algumas das pessoas que fazem e são a razão de ser da Associação Cultural e Recreativa do Zambujal.
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A alegria e felicidade dos que partilham os momentos bons da vida em sociedade.
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Parabéns à Associação Cultural e Recreativa do Zambujal por mais este evento, que cimenta a satisfação, alegria e solidariedade proporcionada pelo associativismo consciênte e responsável.

O Provérbio:"A amizade firme, sempre portas abertas"

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Jardim em poesia


Hoje vesti o meu jardim com um poema do autor da "Pedra Filosofal"
António Gedeão poeta cientista
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Poema das Flores

Se com flores se fizeram revoluções
que linda revolução daria este canteiro!

Quando o clarim do sol toca a matinas
ei-las que emergem do nocturno sono
e as brandas, tenras hastes se perfilam.
Estão fardadas de verde clorofila,
botões vermelhos, faixas amarelas,
penachos brancos que se balanceiam
em mesuras que a aragem determina.
É do regulamento ser viçoso
quando a seiva crepita nas nervuras
e frenética ascende aos altos vértices.

São flores e, como flores, abrem corolas
na memória dos homens.

Recorda o homem que no berço adormecia,
epiderme de flor num sorriso de flor,
e que entre flores correu quando era infante,
ébrio de cheiros,
abrindo os olhos grandes como flores.
Depois, a flor que ela prendeu entre os cabelos,
rede de borboletas, armadilha de unguentos,
o amor à flor dos lábios,
o amor dos lábios desdobrado em flor,
a flor na emboscada, comprometida e ingénua,
colaborante e alheia,
a flor no seu canteiro à espera que a exaltem,
que em respeito a violem
e em sagrado a venerem.

Flores estupefacientes, droga dos olhos, vício dos sentidos.

Ai flores, ai flores das verdes hastes!
A César o que é de César. Às flores o que é das flores.

António Gedeão

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Gosto das flores e da poesia, no meu jardim florido de perfumes e cores.
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No meu jardim há flores de muitas cores, de muitas formas, de muitos feitios e de muitos perfumes, mas todas merecem a minha atenção.
O Provérbio: - "Todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje"
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sábado, 8 de agosto de 2009

Pinhais, ar puro, cores, sons, recursos e recordações

Hoje fomos apanhar pinhas
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Para acender a lareira ou a churrasqueira, nada melhor que as pinhas do pinheiro bravo
(Pinus pinaster), para renovar a reserva das mesmas, acompanhado da Fernanda fomos aos pinhais da "gandara" apanhar pinhas. Fomos de carrinha, mas ainda há poucos anos atrás, os habitantes da aldeia, iam com os carros de bois ou burros aos pinhais, colher pinhas e "tróchos" (ramos secos) de pinheiro, porque as que caíam eram logo apanhadas, usavam uma vara comprida (varejão) com um gancho na ponta, para desprender os tróchos e as pinhas da copa dos pinheiros. Também, com um ancinho, juntavam as agulhas dos pinheiros (caruma), que serviam para acender o lume do borralho, assar a petinga, fazer a cama do gado e "chamuscar" o porco morto, para lhe retirar os pêlos. Os "afeitos" espécie de planta feto e os musgos, por serem macios, eram usados para a cama dos porcos recém-nascidos, os leitões. O mato era "roçado" e colhido para compostar nos pátios e currais do gado, com o estrume assim produzido, as terras eram fertilizadas. Os pinheiros de "serra", assim designados por serem destinados às serrações de madeira, para fazerem deles, tábuas, ripas e barrotes, eram cortados entre Dezembro e Fevereiro, quando a madeira era mais resistente devido ao repouso e mínima circulação de seiva (resina). Os resineiros colhiam a resina e da mesma eram obtidos solventes, aguarrás, terebentina e outros produtos químicos. O pinhal continua a ter muitos recursos que hoje testemunhei enquanto usufruía o seu saudável e perfumado ar-puro. Na tranquilidade própria das florestas, ouvia os seus sons naturais, produzidos pela brisa e pelos animais, hoje porque estamos no Verão e estava calor o som predominante era o das "cega-regas" penso que designavam assim as cigarras, pela quase perfeita camuflagem (cega) e porque quando levantam voo expelem um jacto dum líquido que parece água (rega).
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Praticamente durante todo o ano se encontram flores e frutos nos pinhais, hoje apreciei as amoras, a flor da murta e suas bagas utilizadas para aromatizar as azeitonas a curtir, a flor de urze, cuja planta era utilizada para fazer vassouras, bagas várias, fetos e flor de tojo, cardos, cigarras e gafanhotos. Mas acima de tudo passamos uma tarde muito tranquila, cheia de imagens, sons e sensações e ainda trouxemos para casa muitas pinhas. Hoje a biomassa, produzida pelas forestas começa a ser utilizada nas nossas casas, o mais vulgar são os granulados e prensados para alimentação de lareiras e recuperadores de calor, este aproveitamento industrial da biomassa tem com consequência benéfica a limpeza das matas minimizando a ocorrência de incêndios. A nossa floresta é uma grande riqueza a preservar.

O Provérbio: - "A Natureza criou os prazeres, o homem criou os excessos"
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sábado, 1 de agosto de 2009

Solidariedade para além do humano

Há cerca de um mês a Verónica e o Nuno, namorados, de regresso a casa, já de madrugada, na berma da estrada numa zona de pinhal, encontraram uma ninhada de três gatinhos, bem juntos e abandonados. Os gatinhos pareciam pedir desesperadamente, ajuda, o Nuno e a Verónica amigos, recolheram-nos e trouxeram-nos para casa.
Um deles não resistiu á avançada desidratação, morreu, os outros dois, um casal, resistiram, são os "Silvestres" e estão contentes com o acolhimento.
O macho de coleira azul é o "Silvestre" a fêmea de coleira branca é a "Ritinha" e vivem felizes, pelo menos assim parece, dos gatos que já faziam parte da família, o "Jaleco" e a "Mimi" só a "Mimi" (uma senhora) ainda não os aceitou, o "Jaleco" sim. Lambe e acaricia os novos inquilinos.
Ainda há animais com sorte, que o mesmo seja extensível às pessoas, continuamos a fazer por isso.

O Provérbio: - "O alívio dos que sofrem, é dever de todos"
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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Milho - Espigas assadas


As searas de milho estão verdejantes, este ano foi húmido e quente o que favoreceu o desenvolvimento do milho aqui no Zambujal que é cultivado em terras fortes e de pouca água.

As espigas estão barbadas e os grãos ainda tenros amadurecem. No Zambujal era costume por esta altura apanhar as espigas “cotos”, com os grãos de milho ainda leitosos quando esmagados e assá-las nas brasas.

Quando era jovem, a rapaziada da aldeia, juntava-se em grupos e à noite ia “roubar” os “cotos” e faziam-se magustos nas “Pedras Reigadas” e “Coimbrões” (sítios rurais), Nessas noites de luar e cálidas, à roda da fogueira onde eram assadas a espigas de milho, faziam-se convívios numa amizade entre todos, cimentadas em muitas cumplicidades.

As espigas assadas, por vezes. eram mergulhadas em água salgada para as temperar e arrefecer, eram comidas acompanhados com jeropiga e muitas vezes guitarradas.

Este ano, no meu quintal semeei alguns grãos de milhos que têm espigas em acção de assar e foi o que fizemos uma assada de "cotos". Um delicioso petisco.

O Provérbio: - "A mocidade passa mas as recordações ficam"

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domingo, 5 de julho de 2009

Homenagem simples a um homem bom e humilde. António da Costa Ribeiro "Toino Vaibem"


António Vaibem no Salão da ACRZ

António da Costa Ribeiro (1921-2008) conhecido por António Vaibem, nasceu no dia de Natal na Ribeira dos Moinhos, numa família de lavradores, a senhora sua mãe era a ti Guilhermina da Leonor, porque Leonor era a sua avó, mulher de Matias Simões, seu pai era Manuel da Costa Ribeiro que morreu com algumas pequenas dívidas, era o António seu filho menino de oito anos, que nunca fora à escola. Por via das pequenas dívidas do senhor seu pai, a viúva Guilhermina, sua mãe viu-se confrontada com a falta do sustento da família, que era assegurado, pelo seu esposo e teve como ajuda "solidária" a "eventariação" (palavra do António) dos seus bens e penhora para pagar, muito mas mesmo muito inflacionada, uma mísera dívida. Assim, ficaram na miséria, sem casa nem terras, na Ribeira dos moinhos.


A mãe Guilhermina, a avó Leonor, o irmão Manuel e ele próprio de "bibe".

Então sem casa (lar) em Ribeira dos Moinhos vieram viver para casa da avó Guilhermina que era do Zambujal, e ele o António "Vaibem" criança, começou a guardar gado cujo pagamento era a comida que lhe faltava em casa, depois foi trabalhar para as pedreiras da "gandara" onde "acartava" a terra com uma cesta de vime à cabeça, as crianças como formigas faziam carreiros naqueles enormes montes de terra que "acartavam" como hoje fazem os potentes bulldozers. de seguida arranjou trabalho nos lavradores onde fazia de tudo o que a lavoura exige, em troca do alimento, andava à frente do gado que puxava a charrua, arado na lavra, ou o carro carregado de mato, pasto, cereal, uvas ou carregado de tudo o que a terra dava e era colhido. O António casou aos vinte e cinco anos com a Maria do Rosário, que veio do Louriçal para servir no Zambujal, viveram na casa da avó Guilhermina e tiveram três filhos, o António, o Amândio e o Manuel, todos eles Fernandes, nome da avó.

Com mais bocas para sustentar o António Vaibem, fez de tudo o que a terra oferecia, na vinha, cavou-a limpando-a do "burgau", escavou-a, podou-a, sulfatou-a, vindimou-a, carregou os "cachos" pisou-os, deu balsa ao vinho, envasilhou-o, seguiu a sua maturação nas adegas e por fim voltou a trasfegá-lo na altura da venda. Isto ano após ano. Também arrancou pedra, enfornou a mesma pedra, cozeu-a e desenfornou a pedra que já era cal que lhe queimava as mãos e os pulmões. Esta cal que passou pelas mãos do "Vaibem" foi distribuída pelo país para a construção de obras que têm a sua impressão e pele digital, como por exemplo as novas faculdades da Universidade de Coimbra onde se ensinam doutos saberes que o António nunca sonhou existirem, mas cujo abrigo ele ajudou a construir.

O forno da cal do Caldeira e depois de Manuel de Jesus Gomes (Canário) onde o António Vaibem cozeu muita cal.

O António Vaibem nunca foi à escola porque a prioridade era ter alguma coisa que comer, mas a escola da vida deu-lhe a sabedoria daqueles que sabem quanto custa a vida ganha com trabalho duro e honesto.

O nosso conterrâneo e homem bom, António Vaibem ficou pobre e deixou-nos no dia 13 de Agosto pobre de bens materiais mas rico de valores morais e humanos e deixou obra valorosa.

Sentado na esplanada do café

Esta pequena homenagem ao ti António Vaibem, homem sábio das coisas da vida, alegre apesar de sofrido, homem que gostava de rir, cantar e dançar, é extensiva a todos quantos anonimamente fizeram o trabalho duro na construção do país que temos e pelos quais (gente anónima) a vida passou sem que ninguém fora do círculo familiar os homenageasse como fazem aos "doutores" que escreveram com as canetas, leram nos livros e se abrigaram nas casas (como quase tudo o que utilizam) que gente como o Tí António Vaibem ajudaram a construir.

O provérbio: - "Antes pobreza honrada do que riqueza roubada"

quarta-feira, 1 de julho de 2009

"Sonho de uma noite de verão" no meu jardim




Uma noite de convívio com alguns amigos no jardim.

Os Amigos

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
Negritopor mais amarga.

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"

O Provérbio: - "A amizade é o amor sem asas"