quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Boas Festas



A todos aqueles que me visitam desejo um Natal e Ano de 2010 cheios de alegrias, saúde e muita festa.
Para aqueles que são marginalizados do chamado "progresso", sofrem e são tão maltratados injustamente pela acção da desdita humanidade dos poderosos decisores, a minha solidariedade e esperança dum futuro melhor, que será à medida, da nossa capacidade de lutar por ele.

Um forte abraço
Carlos Rebola

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Projecto 25 no Magusto de São Martinho da ACRZ

No dia 15 de Novembro no salão da ACRZ
A Associação Cultural e Recreativa do Zambujal ofereceu no seu salão um magusto de São Martinho oferecendo castanhas assadas acompanhadas com vinho, água-pé e jeropiga, as bebidas foram oferecidas pelos sócios.
video

O convívio foi animado com a actuação do grupo de música tradicional portuguesa "Projecto 25" da ACRZ, cujos elementos são sócios da Associação e que estão de parabéns pela agradável surpresa, pela boa qualidade de execução das cantigas e temas musicais que constituíram um belo espectáculo. Obrigado, Miguel Murta, Henrique Monteiro, Fernanda Ferreira, Nádia Póvoa, Miguel, Verónica Rebola e Nuno Nunes.

O Provérbio: - "Pelo São Martinho, lume, castanhas e vinho"

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Uma promessa de Primavarera em tempo de Outono

A promessa
O cumprimento da promessa. A Primavera em tempo de Outono no meu jardim.

FLORES
Era preciso agradecer às flores
Terem guardado em si,
Límpida e pura,
Aquela promessa antiga
Duma manhã futura.

Sophia de Mello Breyner

Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera,
e como as flores e os animais
abrirás as mãos de quem te espera.

Eugénio de Andrade


O Provérbio: - "A beleza exterior inspira amor; a interior inspira estima"

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Carlos Monteiro jovem cientista à descoberta de novos fármacos

O Zambujal orgulha-se das suas gentes, na simplicidade, humildade e na colaboração activa para uma sociedade e mundo melhores.
Hoje o jornal "Correio da Manhã" publicou em página inteira um excerto do percurso do nosso "filho da terra" Carlos Monteiro, cientista da área da "Química Industrial" que se tem dedicado quase em exclusivo à investigação laboratorial com o objectivo de criar e desenvolver um novo fármaco de combate ao cancro minimizando ao máximo os efeitos colaterais indesejáveis das terapias tradicionais.
O Carlos Monteiro Jovem de 30 anos com vários artigos científicos publicados em prestigiadas revistas internacionais encontra-se actualmente em Barcelona a aprofundar a sua investigação com novos meios técnicos e laboratoriais à sua disposição.
Os nossos parabéns ao Carlos Monteiro e que tenha os maiores êxitos na sua carreira, orgulhamo-nos dele, da sua inteligência, do seu humanismo, da sua humildade e honestidade, valores que caracterizam os grandes Homens.
O Provérbio: - "A perseverança é a mãe do sucesso"

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cogumelos e flores e Um Recado aos Amigos Distantes


No Zambujal encontram-se as cores da Primavera no Outono

Recado aos Amigos Distantes

Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.

Cecília Meireles, in 'Poemas (1951)'

O Provérbio: "A verdadeira afeição, na longa ausência se prova "

domingo, 25 de outubro de 2009

Ano de azeite no Zambujal

Pela quantidade de azeitona nas oliveiras, este ano é promissor duma boa colheita.
As oliveiras do meu quintal estão bonitas.
Há pessoas que já começaram a colher a azeitona, nesta semana que começa os lagares de azeite começam a laborar.

O Provérbio: -"A azeitona e a fortuna: às vezes, muita; às vezes, nenhuma"
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Coisas boas em familia

A partilha de momentos "Pão, Rosas e Mel"

O Provérbio: - " A alegria é um tesouro que vale mais que o ouro"
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Viagem ao passado medieval

Domingo passado em São Silvestre Coimbra, fui visitar a pequena feira medieval que lá foi "recriada".
A falcoaria, o trabalho do linho, doçaria, artes e ofícios
A música de "Roncos e Curiscus", cenas de reis e rainhas, histórias de encantar e o drama de Pedro e Inês

Gostei!

O Provérbio: - "Lê o passado e ficarás preparado para o futuro"

domingo, 27 de setembro de 2009

Galo de Chanfana em dia de eleições

Na Marinha de Guerra há uns anos (quando não havia telemóveis e internet) os marinheiros em missões (todas as missões eram classificadas desde confidenciais a secretas) no mar só podiam contactar com a família através das comunicações de bordo e com autorização do Comandante. Não era permitido dizer-se onde estavam nem o dia da chegada, então para se dizer sem dizer o dia da chegada havia a frase "tal dia mata galo" e o familiar ficava assim a saber o dia da chegada do navio. Lembrei-me disto, hoje dia de eleições, porque o voto é secreto e hoje almocei galo de chanfana.

Chanfana de galo velho com maçãs assadas no forno a lenha e batata cozida, um almoço genuinamente caseiro.

Depois do dever cumprido no acto eleitoral, o almoço na tranquilidade do jardim.

O Provérbio: - "Onde governa a razão, obedece o apetite"

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Festival de Etnografia da ACRZ


No passado Domingo, dia 13 de Setembro, a Associação Cultural e Recreativa do Zambujal realizou no seu salão a sua festa de folclore e etnografia sob o tema do pinhal com as suas actividades associadas, homenageando as nossas gentes que do pinhal tiravam e ainda tiram grande parte da sua subsistência e sustentabilidade económica. O festival contou com a participação do Grupo Etnográfico da ACRZ, que fez as honras da casa, do Rancho Folclórico de Cervães - Vila Verde – Braga que partilhou com os presentes, as suas danças e cantares das terras do verde Minho, com seus belos trajes adornados a filigrana de oiro, do Grupo Folclórico da Associação Cultural Rio TávoraVilar - Moimenta da Beira que nos deliciou com seus trajes típicos, sugestivos adereços assim como cantares e dançares da Beira interior, do Grupo de Cantares do Alva e Açor -Coja que nos presenteou com a etnografia da sua terra, transmitida em poemas cantados que falavam do passado e presente das suas gentes e costumes da serra Açor e do rio Alva.

Foi uma tarde de festa com a presença de muitas pessoas e do Presidente da Junta de Freguesia de Cadima, Sr. José Alberto, e do Sr. Casas de Melo em representação do Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede. No final houve um lanche de confraternização com convívio de todos.

A oferta aos grupos e convidados foi uma peça artesanal feita com elementos do pinhal.

Acompanhada do seguinte texto:

- O Pinhal a economia e o ambiente

O Zambujal, aldeia do concelho de Cantanhede, está rodeado de pinhal. Esta grande mancha verde, tem sido ao longo dos tempos, fonte de lenha, mato, madeira, que foi e ainda é uma garantia da subsistência das famílias. A lenha, substitui em grande medida a energia, (gás, electricidade e gasóleo) no aquecimento e cozinha. O mato era transformado em composto, estrume, para fertilizar as terras e melhorar a produção agrícola, substituindo os adubos. A madeira era utilizada na construção da casa e mobiliário, soalhos, tectos, (sobrados) e nas alfaias agrícolas, (carros de bois, carroças, charruas, grades, arados e outras alfaias). O pinhal é uma fábrica do oxigénio que respiramos, absorvente de CO2 além de sustentar grande biodiversidade. Por isto e muito mais devemos preservar a floresta, mantendo-a limpa (evita incêndios) e com boa gestão, para manter a sustentabilidade económica e ambiental. Este foi o tema escolhido para o nosso Festival de Etnografia, para homenagear e recordar todos aqueles que trataram do pinhal com as suas actividades próprias.

Zambujal, 13 de Setembro de 2009


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Circo Cristal

Há cerca de quarenta e cinco anos, o Zambujal ainda não tinha luz eléctrica. De vez em quando apareciam na aldeia, circos ambulantes, constituídos por saltimbancos, ilusionistas e palhaços, em carroças puxadas a burros ou machos, à noite faziam os seus espectáculos à luz de gasómetros, de uma luz muito clara e fria produzida pela queima do acetileno produzido por carboneto de cálcio a que se adicionava água. A chegada do circo era uma grande alegria para a pequenada, o ilusionista e os palhaços eram os mais desejados, deixando-nos de boca aberta pela magia, ou de riso às gargalhadas pelas palhaçadas, pagava-mos para assistir, cinco tostões (cinquenta centavos) o mesmo que um quarto de cêntimo, quem não tinha dinheiro podia assistir dando um braçado "caroça" de palha de milho para o burro ou macho que puxava a carroça.
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O circo ambulante, esta semana, voltou ao Zambujal e fez o espectáculo ao ar livre no largo da capela, agora com mais luz, transportado em carros e caravanas, mas a alegria e gargalhadas da pequenada era a mesma de antigamente, que vivi como a criança que já fui.
O Provébio: - "As grandes alegrias merecem partilha"

terça-feira, 18 de agosto de 2009

As cores da vida no meu jardim

Hoje capturei algumas imagens no meu jardim para partilhar a minha felicidade convosco.
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Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.

Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.

O Provérbio: "A vida é feita de momentos"

domingo, 16 de agosto de 2009

Festa do Sócio da Associação Cultural e Recreativa do Zambujal

Todos os anos a Associação Cultural e Recreativa do Zambujal, (ACRZ), organiza uma festa confraternização para os seus sócios e amigos. No dia 15 de Agosto mais de cem sócios e amigos conviveram em festa no salão da ACRZ no Monte Grande. A festa consistiu num farto e requintado jantar, pago pelos presentes, além da conversa fraternal houve animação musical, durante a qual se revelou mais um talento da nossa terra, a Carla Pereira que executou magistralmente, musicas tradicionais na sua concertina, cuja aprendizagem trouxe da Suíça onde os pais José Manel e Fátima são emigrantes.
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O trabalho de que também, senão principalmente, é feita a festa mas que poucos vêm, por ser feito nos bastidores.
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Algumas das pessoas que fazem e são a razão de ser da Associação Cultural e Recreativa do Zambujal.
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A alegria e felicidade dos que partilham os momentos bons da vida em sociedade.
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Parabéns à Associação Cultural e Recreativa do Zambujal por mais este evento, que cimenta a satisfação, alegria e solidariedade proporcionada pelo associativismo consciênte e responsável.

O Provérbio:"A amizade firme, sempre portas abertas"

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Jardim em poesia


Hoje vesti o meu jardim com um poema do autor da "Pedra Filosofal"
António Gedeão poeta cientista
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Poema das Flores

Se com flores se fizeram revoluções
que linda revolução daria este canteiro!

Quando o clarim do sol toca a matinas
ei-las que emergem do nocturno sono
e as brandas, tenras hastes se perfilam.
Estão fardadas de verde clorofila,
botões vermelhos, faixas amarelas,
penachos brancos que se balanceiam
em mesuras que a aragem determina.
É do regulamento ser viçoso
quando a seiva crepita nas nervuras
e frenética ascende aos altos vértices.

São flores e, como flores, abrem corolas
na memória dos homens.

Recorda o homem que no berço adormecia,
epiderme de flor num sorriso de flor,
e que entre flores correu quando era infante,
ébrio de cheiros,
abrindo os olhos grandes como flores.
Depois, a flor que ela prendeu entre os cabelos,
rede de borboletas, armadilha de unguentos,
o amor à flor dos lábios,
o amor dos lábios desdobrado em flor,
a flor na emboscada, comprometida e ingénua,
colaborante e alheia,
a flor no seu canteiro à espera que a exaltem,
que em respeito a violem
e em sagrado a venerem.

Flores estupefacientes, droga dos olhos, vício dos sentidos.

Ai flores, ai flores das verdes hastes!
A César o que é de César. Às flores o que é das flores.

António Gedeão

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Gosto das flores e da poesia, no meu jardim florido de perfumes e cores.
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No meu jardim há flores de muitas cores, de muitas formas, de muitos feitios e de muitos perfumes, mas todas merecem a minha atenção.
O Provérbio: - "Todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje"
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sábado, 8 de agosto de 2009

Pinhais, ar puro, cores, sons, recursos e recordações

Hoje fomos apanhar pinhas
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Para acender a lareira ou a churrasqueira, nada melhor que as pinhas do pinheiro bravo
(Pinus pinaster), para renovar a reserva das mesmas, acompanhado da Fernanda fomos aos pinhais da "gandara" apanhar pinhas. Fomos de carrinha, mas ainda há poucos anos atrás, os habitantes da aldeia, iam com os carros de bois ou burros aos pinhais, colher pinhas e "tróchos" (ramos secos) de pinheiro, porque as que caíam eram logo apanhadas, usavam uma vara comprida (varejão) com um gancho na ponta, para desprender os tróchos e as pinhas da copa dos pinheiros. Também, com um ancinho, juntavam as agulhas dos pinheiros (caruma), que serviam para acender o lume do borralho, assar a petinga, fazer a cama do gado e "chamuscar" o porco morto, para lhe retirar os pêlos. Os "afeitos" espécie de planta feto e os musgos, por serem macios, eram usados para a cama dos porcos recém-nascidos, os leitões. O mato era "roçado" e colhido para compostar nos pátios e currais do gado, com o estrume assim produzido, as terras eram fertilizadas. Os pinheiros de "serra", assim designados por serem destinados às serrações de madeira, para fazerem deles, tábuas, ripas e barrotes, eram cortados entre Dezembro e Fevereiro, quando a madeira era mais resistente devido ao repouso e mínima circulação de seiva (resina). Os resineiros colhiam a resina e da mesma eram obtidos solventes, aguarrás, terebentina e outros produtos químicos. O pinhal continua a ter muitos recursos que hoje testemunhei enquanto usufruía o seu saudável e perfumado ar-puro. Na tranquilidade própria das florestas, ouvia os seus sons naturais, produzidos pela brisa e pelos animais, hoje porque estamos no Verão e estava calor o som predominante era o das "cega-regas" penso que designavam assim as cigarras, pela quase perfeita camuflagem (cega) e porque quando levantam voo expelem um jacto dum líquido que parece água (rega).
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Praticamente durante todo o ano se encontram flores e frutos nos pinhais, hoje apreciei as amoras, a flor da murta e suas bagas utilizadas para aromatizar as azeitonas a curtir, a flor de urze, cuja planta era utilizada para fazer vassouras, bagas várias, fetos e flor de tojo, cardos, cigarras e gafanhotos. Mas acima de tudo passamos uma tarde muito tranquila, cheia de imagens, sons e sensações e ainda trouxemos para casa muitas pinhas. Hoje a biomassa, produzida pelas forestas começa a ser utilizada nas nossas casas, o mais vulgar são os granulados e prensados para alimentação de lareiras e recuperadores de calor, este aproveitamento industrial da biomassa tem com consequência benéfica a limpeza das matas minimizando a ocorrência de incêndios. A nossa floresta é uma grande riqueza a preservar.

O Provérbio: - "A Natureza criou os prazeres, o homem criou os excessos"
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sábado, 1 de agosto de 2009

Solidariedade para além do humano

Há cerca de um mês a Verónica e o Nuno, namorados, de regresso a casa, já de madrugada, na berma da estrada numa zona de pinhal, encontraram uma ninhada de três gatinhos, bem juntos e abandonados. Os gatinhos pareciam pedir desesperadamente, ajuda, o Nuno e a Verónica amigos, recolheram-nos e trouxeram-nos para casa.
Um deles não resistiu á avançada desidratação, morreu, os outros dois, um casal, resistiram, são os "Silvestres" e estão contentes com o acolhimento.
O macho de coleira azul é o "Silvestre" a fêmea de coleira branca é a "Ritinha" e vivem felizes, pelo menos assim parece, dos gatos que já faziam parte da família, o "Jaleco" e a "Mimi" só a "Mimi" (uma senhora) ainda não os aceitou, o "Jaleco" sim. Lambe e acaricia os novos inquilinos.
Ainda há animais com sorte, que o mesmo seja extensível às pessoas, continuamos a fazer por isso.

O Provérbio: - "O alívio dos que sofrem, é dever de todos"
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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Milho - Espigas assadas


As searas de milho estão verdejantes, este ano foi húmido e quente o que favoreceu o desenvolvimento do milho aqui no Zambujal que é cultivado em terras fortes e de pouca água.

As espigas estão barbadas e os grãos ainda tenros amadurecem. No Zambujal era costume por esta altura apanhar as espigas “cotos”, com os grãos de milho ainda leitosos quando esmagados e assá-las nas brasas.

Quando era jovem, a rapaziada da aldeia, juntava-se em grupos e à noite ia “roubar” os “cotos” e faziam-se magustos nas “Pedras Reigadas” e “Coimbrões” (sítios rurais), Nessas noites de luar e cálidas, à roda da fogueira onde eram assadas a espigas de milho, faziam-se convívios numa amizade entre todos, cimentadas em muitas cumplicidades.

As espigas assadas, por vezes. eram mergulhadas em água salgada para as temperar e arrefecer, eram comidas acompanhados com jeropiga e muitas vezes guitarradas.

Este ano, no meu quintal semeei alguns grãos de milhos que têm espigas em acção de assar e foi o que fizemos uma assada de "cotos". Um delicioso petisco.

O Provérbio: - "A mocidade passa mas as recordações ficam"

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domingo, 5 de julho de 2009

Homenagem simples a um homem bom e humilde. António da Costa Ribeiro "Toino Vaibem"


António Vaibem no Salão da ACRZ

António da Costa Ribeiro (1921-2008) conhecido por António Vaibem, nasceu no dia de Natal na Ribeira dos Moinhos, numa família de lavradores, a senhora sua mãe era a ti Guilhermina da Leonor, porque Leonor era a sua avó, mulher de Matias Simões, seu pai era Manuel da Costa Ribeiro que morreu com algumas pequenas dívidas, era o António seu filho menino de oito anos, que nunca fora à escola. Por via das pequenas dívidas do senhor seu pai, a viúva Guilhermina, sua mãe viu-se confrontada com a falta do sustento da família, que era assegurado, pelo seu esposo e teve como ajuda "solidária" a "eventariação" (palavra do António) dos seus bens e penhora para pagar, muito mas mesmo muito inflacionada, uma mísera dívida. Assim, ficaram na miséria, sem casa nem terras, na Ribeira dos moinhos.


A mãe Guilhermina, a avó Leonor, o irmão Manuel e ele próprio de "bibe".

Então sem casa (lar) em Ribeira dos Moinhos vieram viver para casa da avó Guilhermina que era do Zambujal, e ele o António "Vaibem" criança, começou a guardar gado cujo pagamento era a comida que lhe faltava em casa, depois foi trabalhar para as pedreiras da "gandara" onde "acartava" a terra com uma cesta de vime à cabeça, as crianças como formigas faziam carreiros naqueles enormes montes de terra que "acartavam" como hoje fazem os potentes bulldozers. de seguida arranjou trabalho nos lavradores onde fazia de tudo o que a lavoura exige, em troca do alimento, andava à frente do gado que puxava a charrua, arado na lavra, ou o carro carregado de mato, pasto, cereal, uvas ou carregado de tudo o que a terra dava e era colhido. O António casou aos vinte e cinco anos com a Maria do Rosário, que veio do Louriçal para servir no Zambujal, viveram na casa da avó Guilhermina e tiveram três filhos, o António, o Amândio e o Manuel, todos eles Fernandes, nome da avó.

Com mais bocas para sustentar o António Vaibem, fez de tudo o que a terra oferecia, na vinha, cavou-a limpando-a do "burgau", escavou-a, podou-a, sulfatou-a, vindimou-a, carregou os "cachos" pisou-os, deu balsa ao vinho, envasilhou-o, seguiu a sua maturação nas adegas e por fim voltou a trasfegá-lo na altura da venda. Isto ano após ano. Também arrancou pedra, enfornou a mesma pedra, cozeu-a e desenfornou a pedra que já era cal que lhe queimava as mãos e os pulmões. Esta cal que passou pelas mãos do "Vaibem" foi distribuída pelo país para a construção de obras que têm a sua impressão e pele digital, como por exemplo as novas faculdades da Universidade de Coimbra onde se ensinam doutos saberes que o António nunca sonhou existirem, mas cujo abrigo ele ajudou a construir.

O forno da cal do Caldeira e depois de Manuel de Jesus Gomes (Canário) onde o António Vaibem cozeu muita cal.

O António Vaibem nunca foi à escola porque a prioridade era ter alguma coisa que comer, mas a escola da vida deu-lhe a sabedoria daqueles que sabem quanto custa a vida ganha com trabalho duro e honesto.

O nosso conterrâneo e homem bom, António Vaibem ficou pobre e deixou-nos no dia 13 de Agosto pobre de bens materiais mas rico de valores morais e humanos e deixou obra valorosa.

Sentado na esplanada do café

Esta pequena homenagem ao ti António Vaibem, homem sábio das coisas da vida, alegre apesar de sofrido, homem que gostava de rir, cantar e dançar, é extensiva a todos quantos anonimamente fizeram o trabalho duro na construção do país que temos e pelos quais (gente anónima) a vida passou sem que ninguém fora do círculo familiar os homenageasse como fazem aos "doutores" que escreveram com as canetas, leram nos livros e se abrigaram nas casas (como quase tudo o que utilizam) que gente como o Tí António Vaibem ajudaram a construir.

O provérbio: - "Antes pobreza honrada do que riqueza roubada"

quarta-feira, 1 de julho de 2009

"Sonho de uma noite de verão" no meu jardim




Uma noite de convívio com alguns amigos no jardim.

Os Amigos

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
Negritopor mais amarga.

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"

O Provérbio: - "A amizade é o amor sem asas"

sábado, 20 de junho de 2009

Mel do Zambujal

(clicar na imagem para ampliar)
O João Murta tem um pequeno apiário entre os "Bárrios" e os "Alpiares", numa zona de boa biodiversidade florestal, pinheiro, eucalipto, carvalho, sobreiro, ameixa brava "rénol", urze, murta, vinha, madressilva, silva, tojo, algum rosmaninho, etc., no fundo um bom "pasto" para as abelhas que produzem um mel delicioso cor de caramelo. O João Murta visita o seu apiário quase todas as semanas, desta vez foi verificar como estava a evoluir um núcleo, inicio dum novo enxame. Também verificou que uma colmeia estava a fraquejar por excesso de zângãos, os machos das abelhas e que não produzem mel, isto acontece quando morre a abelha mestra, a única cujos ovos dão abelhas, as obreiras, dos ovos destas, das obreiras, nascem zângãos, mas verificamos que a própria organização da colmeia, enxame, já tinha providenciado alvéolos reais. Nos alvéolos reais (maiores) as obreiras põem ovos de cujas larvas, as obreiras produzem rainhas através duma alimentação especial (geleia real), a colmeia passado pouco tempo tem uma rainha, deixando de estar zanganeira (com excesso de zangões). Também verificou, o João, que numa das colmeias havia excesso de população e preparou-se para dividir o ninho em dois, retirou dois quadros com bastante criação (larvas) nos alvéolos, para colocar num núcleo, mais ou menos metade duma alça, (seis quadros), para desenvolver novo enxame. Alguns favos já tinham muito mel cor de oiro, depois da maturação, este mel é extraído no Outono e é uma delícia com pão nos dias frios de Inverno ou todo o ano.
A biodiversidade existente é garantia duma produção mais ou menos constante, pois, com tantas e diversas plantas há sempre algumas em flor, prontas a doar o seu nectar e polén em troca duma melhor polinização através das abelhas garantindo assim maior produção de frutos e sementes.
O Provérbio:- "A abelha perto do monte, com fonte e casa abrigada, produz mel e cera dobrada"

terça-feira, 16 de junho de 2009

O "Amola tesouras"

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Uma das muitas e boas recordações que eu tenho da minha infância no Zambujal era o som inconfundível da gaita do "amola tisoiras", duma espécie de "flauta dos andes", os tubos eram de lata, saia um som que começava alto baixava e terminava como começara, alto. O amola tisoiras era um homem quase sempre de aspecto pouco cuidado no vestir, de rosto muito enrugado, de pele escura e suja e de barbas e cabelo compridos e desalinhados. Fascinava-me a quantidade de mecanismos, coisas e objectos que trazia na bicicleta diferente de todas as outras. O som estridente que as facas e as tesouras quando ele as afiava na mó de esmeril e as faíscas, qual fogo de artifício, que se soltavam e envolviam o conjunto homem e mecanismos e tantas coisas que só ele sabia manejar e dar-lhe utilidade, o que tornava o “amola tisoiras” uma espécie de mágico, rodeado da criançada, de olhos arregalados, como que hipnotizada por aquele mundo fantástico de sons, luzes e de gente fascinante.

Há pouco tempo ouvi a gaita do “amola tisoiras” e segui aquele som ao encontro da sua origem e vivi momentos que me tornaram outra vez menino. O "amola tisoiras" voltou ao Zambujal, já se pensava que tinha ido para sempre.

O Provérbio: - "Recordar é viver duas vezes"

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Gente da nossa terra - Manuel Gil



Emigrante de sucesso – Manuel dos Santos Monteiro Gil (Manuel Gil) nasceu em 3 de Março de 1930 fruto do casamento de Manuel Gil, seu pai e Anunciação dos Santos, sua mãe. A pobreza da família “obrigou” seu pai a emigrar para o Brasil à procura de melhores condições, deixando sua mulher Anunciação com o Manuel Gil (filho) no ventre ainda em gestação.
O Manuel Gil nasceu e cresceu sem conhecer o pai que ficara por terras de Vera Cruz. A escola acabou quando o Manuel Gil fez a terceira classe e começou ainda menino a trabalhar na agricultura e como servente de pedreiro (misturando a areia a cal e a água com uma enxada, para fazer a massa que colava as pedras das construções carregando os materiais até aos pedreiros) e assim ainda criança era o amparo da mãe, já homem foi pedreiro. Casou aos 25 anos com Salvina, mas a mágoa de nunca ter conhecido o seu pai, fez com que em 1957 com 27 anos de idade fosse para o Brasil, à procura dele. Deixou no Zambujal, mulher e um filho, chegado a terras de Vera Cruz, São Paulo, o Manuel Gil concretizou o seu grande sonho de conhecer seu pai e iniciou ali a sua vida como empregado, passado pouco tempo economizou o suficiente para se estabelecer por conta própria na área comercial primeiro com um bar e depois com uma padaria e em 1962 chama para junto de si sua esposa Salvina e o filho Gabriel. Fundou um restaurante “O Rei do Bacalhau” que ligado à padaria foi um enorme sucesso, era frequentado por altas individualidades e por muitos turistas portugueses que ali se deliciavam com as suas especialidades de bacalhau, ficando ele próprio conhecido em São Paulo como o Rei do Bacalhau.
Em 1986 veio a Portugal para na FIL de Lisboa participar com o seu restaurante “O Rei do Bacalhau”e suas especialidades gastronómicas no evento “Portugueses de Além Mar” que trouxe a Portugal o exemplo de alguns emigrantes de sucesso.
Hoje o Manuel Gil está aposentado e é um homem feliz que vive junto de seus filhos em São Paulo. Mas não esquece a terra que o viu nascer e crescer, o Zambujal e, mais uma vez regressou em lazer para recordar sítios e amigos, amigos que reuniu no passado dia 1 de Outubro (2008) num jantar de confraternização no restaurante “Amigo” da Tocha onde agradeceu a todos o bom acolhimento e amizade que lhe proporcionaram por cá. Partiu para São Paulo com a promessa de voltar em 2009 no Verão.
Parabéns e votos de felicidades ao nosso conterrâneo Manuel Gil que há mais de cinquenta anos partiu para o Brasil onde viu pela primeira vez o seu pai e onde alcançou muito sucesso.
O nosso conterrâneo Manuel Gil é uma pessoa sábia, pois soube aprender com a vida nem sempre fácil, simples e humilde é um homem bom que tem granjeado muitas amizades, a comunidade espera de braços abertos a sua visita.

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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Fonte do Zambujal já voltou a ter água para bem da comunidade

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A Fonte Seca voltou a dar água – A Junta de Freguesia de Cadima enviou para a Fonte-Seca os funcionários Joaquim e António, este, operador da retroescavadora, para que reparassem a conduta que transporta a água da nascente até ao fontanário. Sozinhos com a ajuda da máquina, substituíram a conduta, fizeram a drenagem do chafariz e colocaram uma torneira para que a água da nascente não estivesse continuamente a ser desperdiçada.
Este foi um bom trabalho, que beneficia a comunidade, principalmente numa altura em que a água começa a ser um bem escasso e caro, com tendência a agravar-se, sugerimos que as outras duas fontes, Fonte Perto e Fonte dos Rodelos (ambas de origem romana) mereçam a mesma atenção, o que salvaguarda o precioso líquido e o património cultural. Não sabemos se no futuro estas fontes e nascentes não votarão a desempenhar a função que desempenharam durante séculos, matar a sede às populações.
Com a privatização dos serviços públicos, a caminhar a passos largos, torna-se urgente as comunidades preservarem as suas fontes da vital água, cada vez mais um bem que é de todos mas cada vez mais raro, daí a grande apetência pelo seu controle, por parte de grandes especuladores ganânciosos, que se for permitido, tornarão a água inacessível pelo seu preço, à maioria das pessoas, como já está a acontecer em vários países do mundo.

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